03 novembro 2016

MANUS X MACHINE

MANUS X MACHINE - MET NY














Destaques da mostra do Met: à partir da esquerda, look de Raf Simons para a alta-costura da Dior de 2014 plissado à mão em contraponto ao emblemático vestido Flying Saucer, criado em 1994 pelo japonês Issey Miyake e feito por uma máquina. Ao lado, o traba (Foto:  Courtesy Of The Metropolitan Museum Of Art, Photo © Nicholas Alan Cope)




A invenção da máquina de costura em 1851 e, mais tarde, o surgimento da alta-     costura e do prêt-à-porter na metade do século 20 provocaram uma dicotomia entre o manual e o manufaturado que perdura até os dias de hoje na moda. 

A mostra Manus x Machina – Fashion in an Age of Technology, no entanto, promete reconciliar o artesanal e o industrial. Fomos conferir de perto a mostra que conta com a curadoria de Andrew Bolton, que elencou os 120 looks, propõe a convergência entre mão e máquina, mostrando como elas, na verdade, caminham juntas. “A impressão 3D, por exemplo, é feita por uma máquina, mas o desenho é realizado por uma pessoa e a programação da impressora também”, exemplifica. “Robôs ainda não têm autonomia criativa. Temos de estar sempre presentes no processo de produzir moda. Eles cometem erros apenas se forem programados para isso.”
Peças maravilhosas, ora construídas com a ajuda das máquinas, outras inteiramente feitas à mão, nos levam a outra dimensão e trazem inspiração e beleza para nosso cotidiano. 
Vestido de noiva Chanel da coleção 2005/6 do Kaiser da moda: Karl Lagerfeld. 

Esta definitivamente foi nossa peça favorita na exposição. Este vestido foi feito inteiramente à mão, do início ao fim, denominado "l'homme aux camelias", este vestido foi feito pelos ateliês Maison Lemarié (fundado em 1880) e Maison Lesage (1924). Este segundo produz mais de 40 mil camélias chanel por ano. Cada camélia demora cerca de 90 minutos para ser feita e o vestido acima possui mais de 25.000 camélias, muito trabalho, mas realmente de tirar o folego.


O incrível e apaixonante trabalho da Madame Grès. Nós amamos!<3 td="">

Com looks que datam de 1880 (um vestido de Charles Worth) a 2015 (um tailleur Chanel), Manus x Machina ocupará um Anna Wintour Costume Center (ex-Costume Intitute do Met) transformado em uma maison de alta-costura por Rem Koolhaas. Lá estarão estudos de casos contrastantes da couture. No trabalho da primeira, onde tudo é tradicionalmente feito à mão, Bolton elencou modelos que mostram bordados, plumárias, plissados, rendas e couro superartesanais, fazendo contraponto a vestimentas criadas por processos mais recentes, como a impressão 3D, malharia circular, modelagem de computador e corte a laser.
Em alguns casos, essa comparação aparecerá lado a lado: um modelo da alta-costura de 2014 da Dior por Raf Simons plissado à mão estará junto ao vestido Flying Saucer, criado em 1994 por Issey Miyake e plissado por uma máquina. O modelo floral futurista de Hussein Chalayan para seu inverno 2012 convive com o trabalho do inglês Christopher Kane, que em 2014 se inspirou na fotossíntese para construir vestidos com flores bordadas à mão. As plumas manualmente unidas por Saint Laurent em 1969 contrastam com uma criação da holandesa Iris van Herpen, de 2013, em que as penas são, na verdade, silicone cortado a laser.
Manus x Machina (Foto: Instagram/Reprodução)
A inspiração inicial da exposição, revela Bolton, foi o vestido de noiva que Karl Lagerfeld criou em 2014, no qual ambos os processos se fundem.“Lagerfeld chama o vestido de ‘alta-costura sem costura’, porque foi moldado em vez de costurado. Para a produção da peça foram necessárias cerca de 450 horas de trabalho.” Outra inspiração importante do curador foi Metrópolis (1927), ficção científica de Fritz Lang, que começa e termina com um epigrama. A mensagem? “O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser sempre o coração.” Este é insubstituível.

Ao longo da semana postaremos mais clicks que tiramos na exposição em nosso instagram: @lascivite
MET MUSEUM: 1.000 5th Avenue, Nova York.
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