07 julho 2010

Nossos bastidores

Muitas coisas estão rolando em nossos bastidores.... sabemos que ainda estão ligadas no inverno, aliás, preparem-se: dia 12/7 começa nossa liquidação! Mas nós aqui já estamos no verã faz tempo!!!

Para deixá-las com água na boca e imaginação solta, adiantamos que em nossa próxima coleção a seda reinará absoluta! Então reproduzimos aqui parte de um artigo bacanérrimo que Robson Ferreira fez para a Fashion Bubbles para ver artigo completo, clique aqui.

Boa Leitura! :D

"A SEDA – história, características e obtenção


Ilustração dos imperadores no descobrimento da seda

Se a tendência aponta tanto para o uso da seda, vou falar um pouco sobre o que é a seda, já que esse é um dos tecidos mais imitados no mundo, seja com fibras sintéticas como poliamida e poliéster ou seja com fibras artificiais como a viscose, mas que não terão jamais o glamour que tem a seda.

A SEDA
A seda sempre trouxe consigo um certo ar de nobreza e até um certo folclore criado em torno da sua história. Conta-se que ela foi descoberta por uma imperatriz chinesa, que tomava uma xícara de chá sob uma amoreira, quando um casulo do bicho-da-seda caiu no seu chá. Ela, ao tentar puxar a ponta de fio do casulo, fez com que fino fio de seda se desenrolasse, amolecido pela água quente do chá. Diz ainda a lenda que a imperatriz fez um fino manto de seda para o imperador.
A fibra produzida pelo cultivo do bicho da seda é, sem dúvida, um dos mais nobres materiais têxteis, que o homem já utilizou para a fabricação de fios e tecidos. Seu brilho, aspecto e toque são próprios e
exclusivos.
A seda é muito conhecida por um brilho e toque únicos. Os seus filamentos são um dos mais finos que conhecemos na natureza e, além disso, é uma fibra bem resistente, absorve umidade e suor o que a torna bastante adequada aos climas quentes e “meia estação” como temos no Brasil, mas a
qualidade mais importante da seda é exatamente a imagem de nobreza que ela traz consigo desde a época de sua descoberta.
Tais características fizeram com que a seda fosse um material extremamente desejado durante centenas de anos. Por muito tempo o oriente manteve em segredo a sua produção.
Na Idade Média, os nobres chegaram a trocar um quilo de ouro por um quilo de seda. A seda então cruzava por terra caminhos intermináveis para ser comercializada, constituindo o que ficou conhecido pela “rota da seda”.
A figura acima ilustra estes trajetos.

OBTENÇÃO: o bicho-da-seda passa por três etapas de metamorfose: de lagarta, que é o período de crescimento, de crisálida, quando a lagarta se encasula, e finalmente de borboleta, quando fura o casulo e se liberta. No momento da formação do casulo, a lagarta expele um filamento contínuo e viscoso que solidifica ao ar. O casulo é construído com este fio contínuo, que tem entre 1.500 a 3.000 metros de comprimento e é enrolado em torno do corpo da lagarta.
Durante a formação do casulo, o bicho-da-seda move a cabeça continuamente, de maneira a dirigir o fio na forma de uma cápsula helicoidal ou em forma de ovo.
Os casulos normalmente assumem um formato oval, necessário para o desenrolamento no processo de fiação, mas outras formas de casulos podem ser encontradas, algumas impróprios para utilização.

Esquema biológico da lagarta do Bicho-da-seda
O ciclo biológico do bicho-da-seda, da postura dos ovos à sua eclosão como borboleta, é um processo muito interessante. Dos ovos nascem as larvas, que se alimentam vorazmente de folhas de amoreiras, aumentando em até 10.000 vezes o seu tamanho inicial em pouco mais de 20 dias. Chegando à idade adulta, procura um apoio adequado e passa a expelir continuamente o fino fio da seda, para construção do seu casulo. Dentro desse casulo, passa pela fase de crisálida e transforma-se de lagarta para borboleta. Ao nascer, procura o seu par para o acasalamento, a fêmea bota centenas de ovos, recomeçando o ciclo.
A partir daí, de forma sucinta, é feita uma secagem dos casulos (e da crisálida), para evitar a eclosão e ruptura do casulo e do fio de seda. Passamos então para uma seleção dos casulos, visando a eliminar aqueles defeituosos ou avariados, de modo a se obter uma classe homogênea. Os casulos classificados como ruins podem ser utilizados na fabricação de schappe de seda.

Seleção dos casulos
Antes de desenrolá-los, os casulos são colocados em água quente a fim de amolecer a sericina. A ponta do casulo é liberada com o auxílio de uma “escova”, que permite localizar a ponta. Em seguida, os casulos são postos em outro banho aquecido e reúnem-se então os filamentos em quantidade que varia em função da espessura do fio que se deseja obter: quanto mais grosso for o fio desejado, maior será a quantidade de casulos a serem reunidos. Para cada 100 kg de casulo, obtemos cerca de 9 a 10 kg de seda fiada. Os fios seguem então para a tecelagem, onde são construídos os finos, nobres e, agora entendemos porque, tão valorizados tecidos de seda.
Costumo dizer que, se a Ferrari é mais do que um carro, a seda é mais do que um tecido. Ela tem história, glamour, um brilho inconfundível, qualidades próprias e outras percebidas pelos nossos olhos, pela nossa pele e até pela nossa audição. Experimente esfregar os tecidos de seda e vai perceber um barulho que só a seda faz.
Por isso tome
cuidado quando alguém tentar te vender seda-alguma-coisa, como seda-javanesa ou qualquer tido de seda-artificial ou seda-sintética. São imitações feitas como fibras diferentes. A seda é apenas a tão somente aquela feita com os casulos do bicho-da seda (bombix mori).
Quem nunca teve um vestido de seda, seja de festa, de noiva ou um top, ou apenas um echarpe ou uma gravata? Por esses motivos e tantos outros a seda sempre fará parte da nossa vida e nossa história.
Por Robson Ferreira"
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