05 maio 2008

Foco migra da cintura para ombros, colo e pescoço









A silhueta define a estética de uma temporada, permanecendo um bom tempo em voga, até atingir o final do seu ciclo de vida. Tradicionalmente, a cintura tem sido o ponto de partida, moldando as formas de diferentes épocas. No entanto, nas últimas temporadas, as áreas que sustentam a cabeça e emolduram o rosto passaram a ditar o desenho base da forma feminina. Do sucesso dos lenços palestinos desfilados no inverno 2007 (inverno 2008 hemisfério sul) da Balenciaga, até as esculturais golas dos casacos Jil Sander da recente temporada (inverno 2009 hemisfério sul – foto acima), a região dos ombros, colo e pescoço passou a ser superexplorada, seja com echarpes, lenços, golas ou acessórios. A valorização desses pontos da anatomia de tempos em tempos aflora na história do vestuário e da moda. Há milhares de anos, por exemplo, golas que mais se assemelhavam a um peitoril, eram ricamente adornadas com ouro e esmalte, e usadas sobre o torso nu por nobres egípcios (Tutancâmon e sua rainha 1350-1340 a.c – foto acima). Muito tempo depois, em pleno Renascimento, foi a vez do rufo, uma gola construída em fartas camadas de renda, popularizada na segunda metade do século XV, que era privilégio da aristocracia. O rufo foi usado de dois modos distintos: para os homens, alta e arredondada, e para as mulheres, além de emoldurar o rosto, acompanhava sensualmente a linha do decote (foto acima). Essa gola ficou conhecida através dos retratos da rainha inglesa, Elisabeth. Em dado momento, ela atingiu medidas extremas, até se transformar na gola caída do século seguinte, evoluindo posteriormente para o lenço de renda. O ponto alto na moda masculina foi com o dandismo, em que predominava a rigorosa alfaiataria inglesa em trajes estruturados. O colarinho da camisa era virado para cima envolto por um lenço chamado plastrom. Esse recurso restringia os movimentos da cabeça, contribuindo para a aparência arrogante dos dândis. É impossível falar da valorização do pescoço sem lembrar das “mulheres girafa”, encontradas em tribos da África, Tailândia e China. Conhecidas pelo uso de inúmeros aros em volta do pescoço, de latão ou cobre, elas sofrem uma deformação na forma do corpo desde pequenas. Ao contrário do que se pode presumir, não é o pescoço que cresce, e sim os ombros que rebaixam devido ao peso dos aros (vide foto acima). Partindo desse conhecimento histórico, identificamos todos os recursos utilizados para concentrar a atenção nessas partes do corpo: as golas, usadas pelos egípcios e no renascimento; lenços, usados pelos dândis e colares, em culturas primitivas. O que se vê atualmente é a ressignificação de cada um desses elementos, ainda que com a mesma finalidade. O professor de História da Moda, João Braga, destaca também as bandanas típicas do velho oeste americano, que o bandido usava para esconder nariz e boca e para não ser reconhecido. Quando não estava em confronto, deixava a bandana pendurada, como um adorno. Para o professor, o uso do lenço ou do cachecol poder ser tanto decorativo como uma forma de proteção ou, ainda, uma questão de identidade cultural. “Os lenços palestinos, por exemplo, que foram amplamente adotados pela moda, podem também ser considerados um sinal favorável a determinadas questões políticas”, reflete.
A Lanvin é outra marca de peso que se concentrou nessa região com maxicolares e fitas adornando o pescoço.
A Lascivitée entra nessa onda trazendo o chemisier Tulipa, com gola alta trazendo um look moderno e sofisticado e o look com a camisa rubi e lenço de seda.
Por Fernanda Maciel Colaboração: Lívia MedeirosFotos: © Agência Fotosite, mdig.com.br/Reprodução, Livro “A Roupa e a moda – uma história concisa, James Laver/Reprodução” e UseFashion
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